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Nessa foto eu tinha 12 anos e era dia dos professores.  Sempre fui puxa-saco da professora; estava dando um beijo nela. Dona Linda, hoje já falecida, era minha professora no colégio Batista Cepelos e, também, dona do único Cinema que Cotia já teve. Hoje, onde existia o cinema, existem salas comerciais, alugadas pelas irmãs dela e administradas pelo meu irmão, o Nenê.

Ao lado da professora está a Isabel, amiga de sala. Seu apelido era Tutu. Está, também, uma amiga de meu pai; uma moça que vinha lá do Sítio só para fazer permanente “quente” em seu cabelo, pois esse tipo de permanente costumava durar mais tempo.

Tinham outras moças que vinham dos sítios para a cidade só para fazer permanente, passear, mas acabavam fazendo o permanente frio porque durava menos tempo e assim poderia voltar mais vezes a cidade.

Recolhida por: Denise Paiva, Jacqueline, Juliana Busato, Maria Josilene

Cedida por: Tarrachinha  (ex-vereador de Cotia)

País: Brasil – 1964

Local: Escola Batista Cepelos

Cidade: Cotia/SP

 

Fotografia em jpeg

 

“Hum… mas a foto!  É gostoso de lembrar…  Nem lembro como consegui.

Olha o jeito do pai… o seu avô era forte… era italiano e a vó gaúcha… brava!

Ah, gostaria de ter aproveitado mais!

Quando você é pequeno assim, não entende como são as coisas, não se importa… Mas o tempo passa e depois você pensa que poderia ter ficado mais com eles!

Hoje, se você for visitar os terrenos, eles foram cercados e vendidos; não é mais como antes. Como chamam? Chácaras né… há muitas… Não sobrou nada daquela época.

Meu avô, quando ia comprar os terrenos era assim…, falava desse modo mesmo: “Eu vou comprar o seu terreno, pagarei daqui a alguns dias, deixarei um fio do meu bigode em troca…” Era assim.

E pegava o fio do bigode e pagava mesmo no tal dia. Não é igual hoje; tudo no papel, que assinamos e, mesmo assim, é perigoso dar calote.

Naquela época, o pessoal falava e trato era trato.”

 

Entrevistado: Odair Pires

Entrevistadores: Isabela Amaro, Jéssica Pires, Samara Almeida

FOTO DE Erica Morales

 

Meu nome é Erica, tenho 25 anos e trabalho na empresa Atacadão, na loja de Cotia. Iniciei aqui, com 18 anos, uma menina e hoje mãe. Cresci profissionalmente e pessoalmente.

No mês de julho do ano passado; descobri que estava grávida e desde então minha vida mudou. Sempre desejei engravidar de uma menina e meu marido sempre quis ser pai de menina. Nos casamos no dia 04 de março de 2017, antes de nossa filha nascer, mas estamos juntos desde 18 de outubro de  2007, na época de escola; eu tinha 16 anos.

Entrevistada: Érica Morales

Entrevistador: Osmir Morales Filho

 

FOTO DE HAMILTON FERNANDES

“Meu nome é Hamilton Fernandes de Morais Junior e tenho 38 anos.

Eu nasci em Sapopemba.  Éramos os meus pais e minhas duas irmãs mais velhas. Nós viemos para Cotia quando eu tinha entre 1 e 2 anos de idade e já moro na região há 34 anos.

Na infância, eu tinha problema de bronquite e essa foi a motivação para que meus pais se mudassem para Cotia, pois o ar aqui da região é bem mais saudável do que na região em que morávamos lá no centro da cidade de São Paulo.

Essa foto foi tirada na casa da minha avó; como eu era o único filho homem, então,  era paparicado, ou fui, pelo menos durante um tempo. Eu ficava muito tempo na casa dela; uma casa que  já não existe mais.

(…) Aqui em Cotia foi onde praticamente passei a maior parte da minha vida. Foi um local onde consegui verificar como as coisas mudaram e evoluíram. Foi também o lugar onde comecei a trabalhar como professor.

Quando eu entrei na Fatec, como aluno, em 96, eu morava perto da região do Tijuco Preto, que pertence a Cotia. Hoje tem mais opções de transporte, comparado com aquela época; têm novas estações de metrô,… Eu pegava um ônibus que saia de Caucaia e ia direto para Pinheiros, e de Pinheiros eu pegava um ônibus até a região de Tiradentes, onde fica a Fatec São Paulo.”

Entrevista realizada em 08.11.2016

Entrevistado: Hamilton Fernandes de Morais Júnior

Entrevistadores: Elisa Marques, Fábio Oliveira e Gabriel Jurado

 

Foto de Antonio Batista

Fotografia de 1957

“E nós brasileiros sofremos o que Deus duvida!

Hoje eu estou vivo; a caminho de oitenta e um anos, por graça de Deus!

 Um dia, eu estava em um PO e se dirigiu na minha direção um pelotão: trinta e seis homens. Trinta e seis é um número de um pelotão, no mundo inteiro. Só tem menos quando alguém sofre uma baixa, o que significa que alguém morreu.

Eu tinha um rádio Toc, me comuniquei com a minha retaguarda, a cem quilômetros de distância, e sabe o que me responderam, apesar de eu estar sozinho?

– Você tem bomba aí?

– Tenho.

– Está com uma metralhadora?

– Estou.

– Está com granada?

– Estou.

– Então se defenda.

O que eu ia fazer? Me defendi. Estou vivo… não sei o que aconteceu do outro lado… não gosto de falar sobre isso.”

 

Entrevistado: Antônio Batista

Entrevistadores: Samara Rabello, Ed Carlos Mendes, Flavio Tauan, Helton Batista

Tainá

“Nós tiramos outra foto!

E sei lá! Foi uma coisa legal, porque essa imagem me desperta muitos sentimentos,  como gratidão. Pra agradecermos cada dia mais o que a gente tem. Ela me remete à simplicidade também, porque demonstra que nós precisamos sempre de pouco pra ser feliz!

Nós depositamos muito, muito, nossa felicidade em coisas materiais quando na verdade temos tudo dentro de nós.”

Entrevistado: Tainá (a menina da foto)

Entrevistadores: Fernanda Alves da Silva, Jordan Cruz de Sousa Bezerra, Felippe Godinho dos Santos, Emerson Felipe de Araújo

 

 

Foto ANGELO.jpg

 

“A cultura é um direito universal, mas é tratada como um fetiche. Quanto mais cultura você tem, vão dizer que você é mais ilustrado, iluminado. E parece uma coisa que não pertence ao povo.

Não, muito pelo contrário, a cultura se desenvolve dentro de casa, na rua, se desenvolve em todos os cantos com várias formas de manifestação. (…) É difícil [organizar grupos de teatro; não tem dinheiro envolvido, não é uma coisa que vai me garantir que vou ficar rico, milionário ou coisa do gênero. Não, muito pelo contrário! Estou fazendo isso aqui pela glória, pela graça e principalmente pelo companheirismo dos meus parceiros, porque eles acreditam tanto em mim como neles. Acreditam no grupo e acreditam que podemos trocar essas ideias com o pessoal do bairro, da cidade e tentar trazer mais pessoas para cultura, para política e para essa discussão.”

Entrevistado: Angelo Tadeu Nogueira dos Santos

Entrevistador: Sabrina Santos